terça-feira, 25 de agosto de 2009

Benetton


sempre gostei das propagandas deles, pena que isso é passado, iguais aos incriveis e criativos comerciais de cigarro.. Saudades de um tempo em que o mundo era um pouco mais permissivo. O Politicamente correto esta incorreto.... Pare o mundo que eu quero descer.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Empregadinha


A empregada recém contratada, tremia ao ouvir a voz do patrão. Toda nervosa, por ter quebrado um vaso chinês, limpava agora o banheiro. Derrubara a escova de dentes do patrão na privada. “Oh meu Deus! Não posso perder esse emprego” pensava ela. Como iria dar a noticia? E se colocasse a escova de volta no lugar e ele sentisse o gosto e o cheiro? Por um azar as cerdas bateram e um restinho de fezes grudadas na porcelana. A escova flutuava. Pensara em puxar a descarga, mas entupiria. “Não; não. Isso seria pior.” Dava voltas circulares pelo banheiro com as mãos na cabeça. Decidira ter uma cúmplice, se ela fosse para a rua, levaria a governanta junto. A governanta ao ver a cena, com a oportunidade de ganhar a confiança do patrão austero. Já dizia.
Ele saberá de tudo!
Tudo? – cara de choro – tudo não. Vamos devolve-la ao lugar.
Se fosse para esconder porque me chamou? Saberá de tudo.

As horas passaram e ela já arrumara seus poucos trapos na mochila. Sentada na lavanderia, esperava pela demissão. Quando o patrão chegou, a governanta chamou a empregadinha e o patrão ao banheiro. E levantou a tampa. Veja isso:

Isso o que? – Perguntava o patrão.
Isso senhor. A escova.
Quem fez isso? Você?
- Eu não patrão, foi ela – aponta para a empregadinha que nesse momento já chora.
O patrão levanta a manga da camisa e pega a escova. A mão pingando água pelo banheiro enojava a governanta que disfarçava seriamente. Coloca pasta e escova os dentes.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Segunda-Feira




a ultima vez que havia saído tinha sido quarta passada
foi muito gostoso
no outback bebi 4 caipiroskas
mas 2 ao mesmo tempo
e ainda tinha um finzinho da terceira
as 3 ali, na minha frente
eu ia bebendo um pouco de cada
pedi uma de limao com hortela
fica praticamente um mojito
ai no final tava com pressa
suguei ela inteira. como um milkshake, minha prima riu

Philip diz:
KKKKK
se me deu vontade de beber
KKKK
'Rain diz:
e eu fiquei com vontade de beber denovo
Philip diz:
Queria ta num churras, ou na praia
Bebendo de Dia!!
'Rain diz:
a eu tb
Philip diz:
Beber de dia eh gostoso
'Rain diz:
e a chuva caindo
é gostoso
aquele clima festivo
Philip diz:
KKKK
Eh
'Rain diz:
sim, de dia é mto mais positivo
alegre
ludico
um clima cubano
saco, hj tem faculdade. ja fiquei otnem pensando nisso
acordei pensando nisso
Philip diz:
Eh,,,,, fica loco
'Rain diz:
isso
mto melhor sem duvida
Philip diz:
E muito mais legal enxergar a propria locura
'Rain diz:
a noite fica pesado
Philip diz:
KKKKK
Fica mais pra dentro
a viagem
'Rain diz:
é
rs
Philip diz:
de noite
'Rain diz:
queria tb
Philip diz:
KKK
'Rain diz:
varias meninas bonitas
conversando
passando
aquele clima do churrasco
varios conhecidos e amigos
Philip diz:
KKKKKK
'Rain diz:
conversa sem parar
com um
com outro
um preparando uma caipirsoka
vc do lado inspecionando
Philip diz:
eh bom esse clima
'Rain diz:
olhando uma bunda passar
um shortinho
a chuva
Philip diz:
KKKK
'Rain diz:
a loucura crescente
mais risadas
gargalhadas
Philip diz:
Exatamente assim
'Rain diz:
uma musica legal tocando, ai ja comenta sobre a musica
Philip diz:
Delicia
'Rain diz:
é
Philip diz:
KKKKK
'Rain diz:
me sirvo de uma dose de uisque
balanco o copo ja meio loko, ate cai um pouco pra fora
o gelo derretendo na mesma proporcao que o cerebro
rs
Philip diz:
KKKKKKKk boa!!!!
'Rain diz:
kk
gostei tb!
ahauha
acho q vou copiar tudo q escrevi aqui
e colar no blog
hilip diz:
Demoro
Rain diz:
mas o duro é que minha mae le
Philip diz:
Cola la!!
Ai eh foda
'Rain diz:
é q minha mae
Philip diz:
KKKKK
'Rain diz:
le
ai perdi a liberdade
que é a essencia do escritor
ainda mais da parte das 4 caipiroskas , 3 na mesa
Philip diz:
Se escreve bem mesmo.....
'Rain diz:
ela acha um absurdo beber
Philip diz:
KKKKKKK
'Rain diz:
mais que uma bebida ao mesmo tempo
Philip diz:
Minha mae acha o mesmo
'Rain diz:
e ainda mais qdo peço um chopp e uma capiroska
q ela diz q nem saboreia
a bebida
Philip diz:
KKKKKK coisa boa
'Rain diz:
rs
eu falo
claro que saboreia
nao to bebendo as 2 ao mesmo tempo
na boca
bebo uma, dai bebo a outra, ai volto a beber a outra
eu falo
ué e vc qdo vai comer
só come o feijao
ou come o arroz o feijao
e mais coisas
junto
Philip diz:
KKKKKKK boa!!!!
'Rain diz:
que nem ter na mesa uma porçao de fritas e de pastel ué
voltei
peguei uma cerveja

Benzedeira


Fui obrigado a ir à uma benzedeira. Após muitas brigas com os meus pais, eles sem saberem mais ao que recorrer, pediram a opinião dos conhecidos. A da maioria prevaleceu, diziam que eram os espíritos do mau tentando destruir a família. Que eles não tinham culpa das brigas. Eram os espíritos, sempre são. Cheguei a uma rua calma, por volta das três da tarde. Meus pais abriram a porta do carro, tive de descer. Empurraram o portão destrancado e também a porta da casa. Fiquei de pé longe deles, porém a benzedeira demorou e sentei. Pensava no meu quarto e no filme que estava perdendo. Ela chegou arrastando o corpo, calculei que tinha oitenta anos. O odor que emanava da pele velha me embrulhou o estomago. Pedi se podia usar o banheiro, a benzedeira sempre amável me apontou onde era. Fechei a porta e vomitei. Voltei com um sorriso. Notei pela seriedade dos meus pais, que deveriam estarem pensando ser alguma brincadeira para atrasar tudo. Porem não podiam brigar comigo, a culpa é dos espíritos. Sentei. Perguntou meu nome antes de começar o ritual. Em pé, ela murmurava e gemia. Pensava no filme que estava perdendo. Depois de mais alguns murmúrios, começou a passar a mão pelo meu braço e todo corpo. Imaginei que essa era a forma de arrancar os maus espíritos. Continuou passando a mão. Fiquei de pau duro. Permaneci sentado olhando a imagem da Virgem e de Jesus. Alisou minha cabeça, avisando que terminara.
Ao entrarmos no carro disse: amanhã quero voltar aqui.
Eles sorriram. Os maus espíritos estavam indo embora.

domingo, 26 de julho de 2009

Degustador
















Soube da existência de um degustador que exibia seu talento para um pequeno grupo, depois de receber uma quantia específica em dinheiro, depositada antecipadamente.
Não estava interessado nesse tipo de espetáculo, muitas vezes pura charlatanice. Mas ao saber sobre alguns detalhes, mudei de idéia.
Nos primeiros dias, posso dizer que me senti indiferente. Porém, os cinco dias que anteciparam a sexta-feira, foram de extremo anseio. Na sexta desmarquei todos meus compromissos, meu descontrole era terrível. Minhas mãos transpiravam em excesso, junto de todo meu corpo.
Para o tempo passar, tentei alguns filmes, não consegui me concentrar. As horas foram passando, o sofrimento que estava sentindo era tanto que cheguei a cogitar o suicídio.

Às seis horas passei em frente do endereço. Estava duas horas adiantado. Olhei algumas vezes para o número anotado no papel e para o número fixado no muro da casa. Não havia erro. Por sorte, consegui achar um bar no próprio bairro, pedi apenas uma dose de uísque. Queria estar sóbrio, atento a todos os gestos do degustador.
O dono do bar, ao ver que eu me diferenciava dos freqüentadores de costume, pelos meus trajes e comportamento, veio me oferecer o cardápio. Recusei. Gosto de escolher a comida sentindo o cheiro, vendo a consistência, e todos os outros detalhes.
“Traga todos os pratos” disse.
É desnecessário dizer que olhava para o relógio em intervalos de poucos segundos.
Às sete e trinta, os pratos começaram a aflorar do balcão. Paguei minha conta. Quando saia, o dono do bar veio me perguntar porque eu não provara nenhum dos pratos. Não respondi, continuei andando com ele atrás. Enquanto entrava no carro, ele continuou a perguntar. A satisfação que me deu aquele homem humilde tentando fazer contato, e eu repelindo-o, me fez esquecer por alguns segundos do degustador. Desde o começo tinha total consciência de que não provaria a comida do bar, contudo precisava marcar meu território através da exuberância.

Ainda que meu carro possua alarme, estacionei-o em frente da casa, assim poderia vigiá-lo de vez em quando pela janela.
Toquei a campainha e uma velha veio abrir a porta. Me conduziu até a sala, onde havia mais oito pessoas. Ficamos todos em silêncio. Alguns minutos depois ouvi a campainha, a velha trouxe para a sala um casal que veio inteirar o grupo.
Um homem aparentando ter cinqüenta anos, surgiu por um corredor. Usava uma camisa desbotada pelo tempo e uma calça social no mesmo estado. Então era esse o degustador.
Com a ajuda de alguns cavalheiros consegui chegar até a janela, não se preocupem, era apenas uma falta de ar. Aproveitei para olhar o carro. Que grande decepção, o degustador aparentava ser um circense.
A velha voltou pelo mesmo corredor que o circense apareceu, pediu para que nos sentássemos, apontando as cadeiras de metal que formavam um círculo em volta do circense ou degustador, como preferir.
O degustador sentou-se também, à sua frente uma pequena mesa forrada com jornal aparava três recipientes de metal cromado. Abriu os três, quase que simultaneamente. Revelando para a pequena platéia o que ocultava.
Servindo-se de pequenos pedaços com a colher, degustou as fezes. Terminou de comer e a sessão foi encerrada. A velha acompanhou-nos até a porta, fomos todos em silêncio.
Com a mente desprovida de qualquer pensamento a não ser o de dirigir, fui até a praia. Fiquei encarando o mar por algumas horas, depois levantei e gritei com toda força enquanto chutava o ar e a areia.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Dimensão


Comecei a escutar barulhos. Primeiro foi a água correndo. Depois pássaros. Papéis sendo amassados. Barulho de ferro. Passos. Procurava sempre ao redor, percebi que eles vinham de uma dimensão paralela.
Estava deitado na cama. Um casal fodia ao meu lado. Comecei a ouvir as risadas baixas, suspiros, passei a ouvir gritos, respiração forte. Enfia com tudo, dizia ela. Saltei da cama com agilidade, sai do quarto. O som foi ficando longe, parei de escutar. Agora tinha a certeza de que não era um maluco pirado. Voltei para o quarto. Deitei na cama. Comecei a bater uma.
- Por trás não. Por favor por trás não. – Gritos.
Ela estava sendo estuprada. Comida por trás. Eu não conseguia parar de massagear meu pau. Não podia fazer nada para ajuda-la, eles eram de outra dimensão. Fiquei escutando-os. Ela continuava a gritar, agora mais baixo. Os gritos foram sendo substituídos por choros. Não agüentei mais e gozei.
Abri os olhos. Ela estava nua na minha frente. Deitada na minha cama. Meu Deus!

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Roberto foi levado a suprema corte e condenado a prisão perpetua.
Laura sofreu hemorragia interna.
Em memória a todas as mulheres vítimas de abuso.

Laura dos Santos 1961 – 1981

quinta-feira, 23 de julho de 2009

A Viagem






















Obcecado por viagem astral. Tentou de todos os modos conseguir seu passaporte. Sendo através de livros, documentários, e inúmeras conversas com quem dizia entender do assunto. Conhecia todas as técnicas. Inclusive escreveu um livro sobre o assunto, no qual ganhara muito dinheiro. Virara autoridade no assunto, graças a sua fértil imaginação, descrevera todos os tipos de viagem em que dizia ter feito. Você encontrou mesmo com o Raul Seixas? Perguntavam os fãs mais assíduos. Não só com ele, como tambem com o Tim Maia. Quais são os novos dialogos de Platão? O que Einstein comentou sobre as novas teorias? Walt Disney, pediu mesmo para você introduzir um novo personagem? E assim caminhava a sua vida. O segundo livro em que lançara, chamado “Os Grandes Continuam Vivos” com essas citações dos famosos, havia esgotado em menos de vinte dias. Porém a felicidade não era interna. A busca por conseguir realizar a viagem astral continuava cada vez mais forte, agora que seu mundo girava em torno dela. Radiante, certa manha, um amigo – o único que sabia do segredo - chegou com a notícia e o endereço, de uma casa no subúrbio carioca.
Desviando das fezes dos cachorros, que povoavam o quintal, entrou no quarto do tal mestre. Nunca gostou do Rio de Janeiro, mas ali estava ele. O mestre, objetivo perguntou “deseja mesmo, realizar a viagem astral?”
É o que mais quero na vida - mal podia se conter.
“Pois bem”; - respondeu o mestre atirando duas vezes em seu peito. Uma boa viagem.