sexta-feira, 31 de julho de 2009

Empregadinha


A empregada recém contratada, tremia ao ouvir a voz do patrão. Toda nervosa, por ter quebrado um vaso chinês, limpava agora o banheiro. Derrubara a escova de dentes do patrão na privada. “Oh meu Deus! Não posso perder esse emprego” pensava ela. Como iria dar a noticia? E se colocasse a escova de volta no lugar e ele sentisse o gosto e o cheiro? Por um azar as cerdas bateram e um restinho de fezes grudadas na porcelana. A escova flutuava. Pensara em puxar a descarga, mas entupiria. “Não; não. Isso seria pior.” Dava voltas circulares pelo banheiro com as mãos na cabeça. Decidira ter uma cúmplice, se ela fosse para a rua, levaria a governanta junto. A governanta ao ver a cena, com a oportunidade de ganhar a confiança do patrão austero. Já dizia.
Ele saberá de tudo!
Tudo? – cara de choro – tudo não. Vamos devolve-la ao lugar.
Se fosse para esconder porque me chamou? Saberá de tudo.

As horas passaram e ela já arrumara seus poucos trapos na mochila. Sentada na lavanderia, esperava pela demissão. Quando o patrão chegou, a governanta chamou a empregadinha e o patrão ao banheiro. E levantou a tampa. Veja isso:

Isso o que? – Perguntava o patrão.
Isso senhor. A escova.
Quem fez isso? Você?
- Eu não patrão, foi ela – aponta para a empregadinha que nesse momento já chora.
O patrão levanta a manga da camisa e pega a escova. A mão pingando água pelo banheiro enojava a governanta que disfarçava seriamente. Coloca pasta e escova os dentes.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Segunda-Feira




a ultima vez que havia saído tinha sido quarta passada
foi muito gostoso
no outback bebi 4 caipiroskas
mas 2 ao mesmo tempo
e ainda tinha um finzinho da terceira
as 3 ali, na minha frente
eu ia bebendo um pouco de cada
pedi uma de limao com hortela
fica praticamente um mojito
ai no final tava com pressa
suguei ela inteira. como um milkshake, minha prima riu

Philip diz:
KKKKK
se me deu vontade de beber
KKKK
'Rain diz:
e eu fiquei com vontade de beber denovo
Philip diz:
Queria ta num churras, ou na praia
Bebendo de Dia!!
'Rain diz:
a eu tb
Philip diz:
Beber de dia eh gostoso
'Rain diz:
e a chuva caindo
é gostoso
aquele clima festivo
Philip diz:
KKKK
Eh
'Rain diz:
sim, de dia é mto mais positivo
alegre
ludico
um clima cubano
saco, hj tem faculdade. ja fiquei otnem pensando nisso
acordei pensando nisso
Philip diz:
Eh,,,,, fica loco
'Rain diz:
isso
mto melhor sem duvida
Philip diz:
E muito mais legal enxergar a propria locura
'Rain diz:
a noite fica pesado
Philip diz:
KKKKK
Fica mais pra dentro
a viagem
'Rain diz:
é
rs
Philip diz:
de noite
'Rain diz:
queria tb
Philip diz:
KKK
'Rain diz:
varias meninas bonitas
conversando
passando
aquele clima do churrasco
varios conhecidos e amigos
Philip diz:
KKKKKK
'Rain diz:
conversa sem parar
com um
com outro
um preparando uma caipirsoka
vc do lado inspecionando
Philip diz:
eh bom esse clima
'Rain diz:
olhando uma bunda passar
um shortinho
a chuva
Philip diz:
KKKK
'Rain diz:
a loucura crescente
mais risadas
gargalhadas
Philip diz:
Exatamente assim
'Rain diz:
uma musica legal tocando, ai ja comenta sobre a musica
Philip diz:
Delicia
'Rain diz:
é
Philip diz:
KKKKK
'Rain diz:
me sirvo de uma dose de uisque
balanco o copo ja meio loko, ate cai um pouco pra fora
o gelo derretendo na mesma proporcao que o cerebro
rs
Philip diz:
KKKKKKKk boa!!!!
'Rain diz:
kk
gostei tb!
ahauha
acho q vou copiar tudo q escrevi aqui
e colar no blog
hilip diz:
Demoro
Rain diz:
mas o duro é que minha mae le
Philip diz:
Cola la!!
Ai eh foda
'Rain diz:
é q minha mae
Philip diz:
KKKKK
'Rain diz:
le
ai perdi a liberdade
que é a essencia do escritor
ainda mais da parte das 4 caipiroskas , 3 na mesa
Philip diz:
Se escreve bem mesmo.....
'Rain diz:
ela acha um absurdo beber
Philip diz:
KKKKKKK
'Rain diz:
mais que uma bebida ao mesmo tempo
Philip diz:
Minha mae acha o mesmo
'Rain diz:
e ainda mais qdo peço um chopp e uma capiroska
q ela diz q nem saboreia
a bebida
Philip diz:
KKKKKK coisa boa
'Rain diz:
rs
eu falo
claro que saboreia
nao to bebendo as 2 ao mesmo tempo
na boca
bebo uma, dai bebo a outra, ai volto a beber a outra
eu falo
ué e vc qdo vai comer
só come o feijao
ou come o arroz o feijao
e mais coisas
junto
Philip diz:
KKKKKKK boa!!!!
'Rain diz:
que nem ter na mesa uma porçao de fritas e de pastel ué
voltei
peguei uma cerveja

Benzedeira


Fui obrigado a ir à uma benzedeira. Após muitas brigas com os meus pais, eles sem saberem mais ao que recorrer, pediram a opinião dos conhecidos. A da maioria prevaleceu, diziam que eram os espíritos do mau tentando destruir a família. Que eles não tinham culpa das brigas. Eram os espíritos, sempre são. Cheguei a uma rua calma, por volta das três da tarde. Meus pais abriram a porta do carro, tive de descer. Empurraram o portão destrancado e também a porta da casa. Fiquei de pé longe deles, porém a benzedeira demorou e sentei. Pensava no meu quarto e no filme que estava perdendo. Ela chegou arrastando o corpo, calculei que tinha oitenta anos. O odor que emanava da pele velha me embrulhou o estomago. Pedi se podia usar o banheiro, a benzedeira sempre amável me apontou onde era. Fechei a porta e vomitei. Voltei com um sorriso. Notei pela seriedade dos meus pais, que deveriam estarem pensando ser alguma brincadeira para atrasar tudo. Porem não podiam brigar comigo, a culpa é dos espíritos. Sentei. Perguntou meu nome antes de começar o ritual. Em pé, ela murmurava e gemia. Pensava no filme que estava perdendo. Depois de mais alguns murmúrios, começou a passar a mão pelo meu braço e todo corpo. Imaginei que essa era a forma de arrancar os maus espíritos. Continuou passando a mão. Fiquei de pau duro. Permaneci sentado olhando a imagem da Virgem e de Jesus. Alisou minha cabeça, avisando que terminara.
Ao entrarmos no carro disse: amanhã quero voltar aqui.
Eles sorriram. Os maus espíritos estavam indo embora.

domingo, 26 de julho de 2009

Degustador
















Soube da existência de um degustador que exibia seu talento para um pequeno grupo, depois de receber uma quantia específica em dinheiro, depositada antecipadamente.
Não estava interessado nesse tipo de espetáculo, muitas vezes pura charlatanice. Mas ao saber sobre alguns detalhes, mudei de idéia.
Nos primeiros dias, posso dizer que me senti indiferente. Porém, os cinco dias que anteciparam a sexta-feira, foram de extremo anseio. Na sexta desmarquei todos meus compromissos, meu descontrole era terrível. Minhas mãos transpiravam em excesso, junto de todo meu corpo.
Para o tempo passar, tentei alguns filmes, não consegui me concentrar. As horas foram passando, o sofrimento que estava sentindo era tanto que cheguei a cogitar o suicídio.

Às seis horas passei em frente do endereço. Estava duas horas adiantado. Olhei algumas vezes para o número anotado no papel e para o número fixado no muro da casa. Não havia erro. Por sorte, consegui achar um bar no próprio bairro, pedi apenas uma dose de uísque. Queria estar sóbrio, atento a todos os gestos do degustador.
O dono do bar, ao ver que eu me diferenciava dos freqüentadores de costume, pelos meus trajes e comportamento, veio me oferecer o cardápio. Recusei. Gosto de escolher a comida sentindo o cheiro, vendo a consistência, e todos os outros detalhes.
“Traga todos os pratos” disse.
É desnecessário dizer que olhava para o relógio em intervalos de poucos segundos.
Às sete e trinta, os pratos começaram a aflorar do balcão. Paguei minha conta. Quando saia, o dono do bar veio me perguntar porque eu não provara nenhum dos pratos. Não respondi, continuei andando com ele atrás. Enquanto entrava no carro, ele continuou a perguntar. A satisfação que me deu aquele homem humilde tentando fazer contato, e eu repelindo-o, me fez esquecer por alguns segundos do degustador. Desde o começo tinha total consciência de que não provaria a comida do bar, contudo precisava marcar meu território através da exuberância.

Ainda que meu carro possua alarme, estacionei-o em frente da casa, assim poderia vigiá-lo de vez em quando pela janela.
Toquei a campainha e uma velha veio abrir a porta. Me conduziu até a sala, onde havia mais oito pessoas. Ficamos todos em silêncio. Alguns minutos depois ouvi a campainha, a velha trouxe para a sala um casal que veio inteirar o grupo.
Um homem aparentando ter cinqüenta anos, surgiu por um corredor. Usava uma camisa desbotada pelo tempo e uma calça social no mesmo estado. Então era esse o degustador.
Com a ajuda de alguns cavalheiros consegui chegar até a janela, não se preocupem, era apenas uma falta de ar. Aproveitei para olhar o carro. Que grande decepção, o degustador aparentava ser um circense.
A velha voltou pelo mesmo corredor que o circense apareceu, pediu para que nos sentássemos, apontando as cadeiras de metal que formavam um círculo em volta do circense ou degustador, como preferir.
O degustador sentou-se também, à sua frente uma pequena mesa forrada com jornal aparava três recipientes de metal cromado. Abriu os três, quase que simultaneamente. Revelando para a pequena platéia o que ocultava.
Servindo-se de pequenos pedaços com a colher, degustou as fezes. Terminou de comer e a sessão foi encerrada. A velha acompanhou-nos até a porta, fomos todos em silêncio.
Com a mente desprovida de qualquer pensamento a não ser o de dirigir, fui até a praia. Fiquei encarando o mar por algumas horas, depois levantei e gritei com toda força enquanto chutava o ar e a areia.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Dimensão


Comecei a escutar barulhos. Primeiro foi a água correndo. Depois pássaros. Papéis sendo amassados. Barulho de ferro. Passos. Procurava sempre ao redor, percebi que eles vinham de uma dimensão paralela.
Estava deitado na cama. Um casal fodia ao meu lado. Comecei a ouvir as risadas baixas, suspiros, passei a ouvir gritos, respiração forte. Enfia com tudo, dizia ela. Saltei da cama com agilidade, sai do quarto. O som foi ficando longe, parei de escutar. Agora tinha a certeza de que não era um maluco pirado. Voltei para o quarto. Deitei na cama. Comecei a bater uma.
- Por trás não. Por favor por trás não. – Gritos.
Ela estava sendo estuprada. Comida por trás. Eu não conseguia parar de massagear meu pau. Não podia fazer nada para ajuda-la, eles eram de outra dimensão. Fiquei escutando-os. Ela continuava a gritar, agora mais baixo. Os gritos foram sendo substituídos por choros. Não agüentei mais e gozei.
Abri os olhos. Ela estava nua na minha frente. Deitada na minha cama. Meu Deus!

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Roberto foi levado a suprema corte e condenado a prisão perpetua.
Laura sofreu hemorragia interna.
Em memória a todas as mulheres vítimas de abuso.

Laura dos Santos 1961 – 1981

quinta-feira, 23 de julho de 2009

A Viagem






















Obcecado por viagem astral. Tentou de todos os modos conseguir seu passaporte. Sendo através de livros, documentários, e inúmeras conversas com quem dizia entender do assunto. Conhecia todas as técnicas. Inclusive escreveu um livro sobre o assunto, no qual ganhara muito dinheiro. Virara autoridade no assunto, graças a sua fértil imaginação, descrevera todos os tipos de viagem em que dizia ter feito. Você encontrou mesmo com o Raul Seixas? Perguntavam os fãs mais assíduos. Não só com ele, como tambem com o Tim Maia. Quais são os novos dialogos de Platão? O que Einstein comentou sobre as novas teorias? Walt Disney, pediu mesmo para você introduzir um novo personagem? E assim caminhava a sua vida. O segundo livro em que lançara, chamado “Os Grandes Continuam Vivos” com essas citações dos famosos, havia esgotado em menos de vinte dias. Porém a felicidade não era interna. A busca por conseguir realizar a viagem astral continuava cada vez mais forte, agora que seu mundo girava em torno dela. Radiante, certa manha, um amigo – o único que sabia do segredo - chegou com a notícia e o endereço, de uma casa no subúrbio carioca.
Desviando das fezes dos cachorros, que povoavam o quintal, entrou no quarto do tal mestre. Nunca gostou do Rio de Janeiro, mas ali estava ele. O mestre, objetivo perguntou “deseja mesmo, realizar a viagem astral?”
É o que mais quero na vida - mal podia se conter.
“Pois bem”; - respondeu o mestre atirando duas vezes em seu peito. Uma boa viagem.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A Vaga


Taquei dentro do pão uma lata de sardinha. Comi rápido. Sempre como rápido. Estava uma merda. Saí do escritório. Chamei o elevador. Enquanto esperava olhei pela janela do oitavo andar, vi uma roda na praça. O elevador chegou. Apertei o botão e me olhei no espelho. Dentro havia uma mulher e um menino, brigava com ele enquanto limpava seu nariz com força. Cheguei ao térreo. O porteiro veio falar comigo “olha aquele mulherão doutor” segui reto. Atravessei a rua, um mendigo veio falar comigo. Segui reto. Cheguei na praça. A roda estava fechada. Fiquei na ponta dos pés, um imbecil fazia um show barato de mágicas com um baralho. Tentei conseguir um espaço. Estavam colados um nos outros e havia um negão muito largo que ocupava espaço. A roda estava fechada para mim. Comecei a ir embora. Um moleque veio pedir se podia engraxar os meus sapatos. Perguntei o preço.
O quanto você quiser pagar doutor.
Não sou doutor. Eu tenho cara de doutor?
Tem sim senhor.
Mas eu não sou doutor. Minha mãe queria que eu fosse doutor.
Mas deixa doutor. – Ajoelhou.
Levanta moleque. – Segurei-o com força pelo braço. – Esta vendo
aquele negão na roda? Fez que sim com a cabeça. – Passa essa graxa na cara dele.
- Não posso doutor. – Tentou se soltar. Mostrei o revólver que carregava no paletó.
- Esta vendo isso aqui? – Fez que sim com a cabeça. – Beija o cano. – Ele beijou. – Agradeça a ele, por te salvar. Agradeça a ele – disse.
Mas doutor, revolver não fala.
Agradeça.
Obrigado revolver.
Agradeça direito.
...
Agora vai e esfrega a graxa. Se ele se meter a besta
com você eu atiro.
Doutor deixa eu ir embora.
Vou soltar seu braço, se fugir atiro. Agora vai lá. Ficarei sentado
aqui nesse banco.
Moleque olhou para trás. Mostrei o revólver. Começou então a passar à graxa. O negão saiu da roda, segurou-o pelo pescoço e desceu a porrada. Ele me olhou. Levantei as sobrancelhas e sacudi os ombros.
Fui até a roda, entrei no lugar do negão.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Chefe de Família


Depois de jantarmos me levantei, ia para o quarto quando ela disse que queria conversar. Tenho meu ritual pós jantar, gosto de deitar, ouvir Waldstein de Beethoven, com Janus Jandò tocando piano e expelir os gazes lentamente. Vou ao banheiro, fecho a janela e tomo um banho com a água quase fervendo, me enxugo no vapor. Mais tarde um calmante e oito horas de sono. Esses são os poucos prazeres que desenvolvi para conseguir suportar os dias na empresa.
Sentamos no sofá novo. Depois que fui promovido para presidente, comprei uma serra elétrica com o pretexto de cortar alguns galhos das arvores no quintal. Em uma sexta-feira cheguei mais cedo em casa, dispensei os empregados e passei a serra no velho sofá. Fui até a loja e comprei o mais caro, simulei naturalidade para o vendedor, fingindo não olhar o preço. Também comprei alguns tapetes novos e redecorei a casa.
Estou grávida, disse ela. Disse também que sabia que eu não queria filhos, iria morar com a mãe mas não tirava a criança por nada. Fiquei em silêncio sem demonstrar emoção. Aprendi que quando não sabemos o que fazer, devemos manter nosso rosto sem expressões.
Abracei-a com força, tirei-a para dançar ali na sala, ao som das nossas risadas. Em seguida falei “Espere aqui, tenho um presente para essa ocasião.” Tenho sempre presentes escondidos no meu closet para cada ocasião, mulheres não gostam de palavras.
Sentado na cama abri a caixa de madeira escura, revestida de veludo.
Voltei para a sala, sorri e disparei três balas. Duas para ela e uma para a criança. Como eu disse, tenho sempre um presente para cada ocasião.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Lilian


Lilian estava andando pela rua quando ele se aproximou dando lhe um abraço. Não se viam à algumas semanas e isso já era um bom motivo para treparem. Desceram a rua chegando ao apartamento dele, que por sorte ficava perto. Pediu para que ficasse nua e deitasse na cama que voltava em breve.
Foi até a sala e abriu a gaveta do móvel da televisão. Um bom pedaço de ferro com mais ou menos um metro de comprimento estava guardado ali. Ao chegar no quarto ela continuava deitada, estava de costas para a porta vendo umas fotografias antigas, quando recebeu a primeira de muitas. No começo ela gritou, mas conforme o ferro descia foi ficando quieta, quem sabe gostando da brincadeira.
Quando terminou, ela já estava morta a um bom tempo, bateu mais algumas vezes, assim aproveitou para fazer exercício. Levou o corpo na banheira, voltando pro quarto. Recolheu alguns pedaços, trocou o lençol, deitou na cama e dormiu. Mais tarde pensaria em alguma solução.

Garçom


Não sei o que ele tinha mais; pelos ou suor. Acho que os dois. Ele veio mancando com sua careca brilhante.
“qual o seu pior pastel?”
“senhor, nós não temos pasteis ruins” disse ele com os olhos esbugalhados.
“então me veja o melhor”.
Ele voltou muitos minutos depois carregando uma grande bandeja com todos os pasteis do cardápio.
Olhei para o pastel e chamei sua atenção “isso aqui esta molhado de suor “ ele se aproximou “e pelo também!”. O dono apareceu e pediu desculpas, segurou o garçom pelos braços e disse que eu poderia dar o soco mais forte que conseguisse em sua barriga. Meus anos como pugilista finalmente serviriam para algo.
No final da tarde o vi sentado na calçada com uma garrafa.
Meses depois fiquei sabendo que estava trabalhando numa churrascaria, e a quimioterapia havia o deixado pelado. Mas ele ainda suava, e como!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Chuva


Chovia. Chovia forte. Comprei um carro para esses dias. Dirigia-o bem devagar, me aproximei de umas pessoas na calçada e derrapei. Pelo retrovisor vi todos molhados. Dei a volta no quarteirão. Passei novamente bem devagar, “filho da puta” gritavam. Parei e fiquei rindo. Alguns vieram e chutaram a porta. Abaixei o vidro, quando viram a pistola recuaram, ficaram me olhando. Acertei dois. Derrapei novamente e fui embora.
A chuva passou, voltei pra casa.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

joga na sexta e cai no sábado...


o clima da sexta-feira
as 18 hrs
com todos no transito
desafrouxando suas gravatas
o beebop rolando
os brindes das mesas grandes
com o chopp caindo pra fora do copo
os bares cheios
a libertação...
ou o sábado de manha
de ceu azul
a energia leve no ar
pouco transito
o homem que estaria de terno
de bermuda e chinelo
passeando com sua cachorra
são coisas que me agradam...

Sábado a Noite





















ele vomitou na mesa do bar
as mulheres e os homens olharam
a mão brilhante
e
molhada
e então quis beber do meu uísque
"com essa boca vomitada não"
continuou a insistir
enquanto eu dizia NÃO É NÃO filho da puta
eu desviava o copo, enquanto ele tentava alcança-lo
como quando a gente tortura uma criança
levantando o brinquedo no ar
acabei pegando-o pela garganta
isso exaltou os animos
depois fizemos as pazes
dando um abraço
me lavei no banheiro
ele havia encostado em mim
passado alguns minutos
tentou dessa vez um gole da minha água
escapei para a outra ponta do bar
mas aí tudo perdeu a graça
e voltei perto dele
ele era uma boa distração
aquele cabelo maluco
um ninho de pombo de 3 andares
e a cabeça pendendo pra baixo
mais tarde sumiu
descobri que havia partido em um táxi
acabei indo embora também
a festa ficou sem graça

Zé do Apito


Zé do apito não veio de novo.
Como você sabe?
Eu não vi ele chegando.
Mas você não saiu de casa.
Eu não preciso sair de casa, para ver essas, coisas. Eu uso a janela.
Mas a janela não pega a rua toda, ele pode ter vindo e você não percebeu.
Eu percebo as coisas; sempre.
Esse cara nunca mais tem vindo. Alias vem só no dia do pagamento.
Então não paga mais.
Mas ai ele não vai mais vir.
Tem razão.
Esse cara tem deixado um amigo dele, para ficar apitando quando ele não vem.
Então o “cara” é o sucessor dele. Um novo Zé do apito.
Não.
Como não?
O cara só passa de bicicleta, apita e vai embora.
E o Zé do apito original?
Esse nem vem.
Então não é melhor o falso?
As vezes...
O que esse tal de Zé faz? Qual o serviço dele.
Apitar.
Mas apitar não é serviço.
Eu sei.
Mas vocês pagam pra ele ficar por ai apitando? Então paga pra mim!
Não é só pra isso.
Para o que mais.
Para proteger a gente.
Do que?
De ladrão.
Mas como ele espanta o ladrão?
Apitando.
E desde quando apito é proteção?
Desde nunca.
Mas então para que ele serve?
Para apitar.
Ah... entendi.

Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

Ônibus


A chuva forte havia passado. O chuvisco continuava a cair. Parei ao lado do ponto de ônibus e fiquei ali, esperando de braços cruzados por ele. Algumas pessoas se escondiam debaixo das marquises das lojas. O ônibus apontou no alto da avenida e começou a descer em minha direção. Aquelas pessoas saíram da marquise e pararam ao meu lado, uma delas com um pé na calçada e o outro na rua. A outra fez sinal para ele, então continuei de braços cruzados. Quando chegou, correram pra dentro. Ia subir e o cobrador me disse “já lotou” a porta fechou e foram embora. Continuei ali com a chuva. Quando o próximo apontou, aconteceu o mesmo as pessoas vieram do meu lado, pareciam baratas que saiam apenas na hora que avistavam um biscoito. Dessa vez quando a porta abriu empurrei algumas pessoas, uma velha caiu. Lamentei. Mas tinha conseguido, estava dentro.
Ao meu lado havia uma mulher de uns trinta anos, mas não sei, não olhei quase para ela. Do outro, uma outra carregava uma criança suja no colo que segurava um pastel não muito limpo. Fiquei olhando para as duas e para o motorista. A mãe dobrou o pastel em quatro e guardou na sacola. Um pouco da carne moida caiu no chão e na roupa da filha. Desci no próximo ponto. A chuva continuava.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Cabaret


Fui ao meu puteiro favorito. Aquelas mulheres todas a minha disposição, podendo tocá-las a vontade. O que me faz gostar daqui é a diversidade, nunca encontrei a mesma puta duas vezes.

Puxei-a pelos braços, fodemos ali, em cima da mesa. Os cabelos pretos beirando o azul, os olhos penetrando minha alma e eu penetrando-a. Quando quero conversar vou até um bar, gosto de foder em silêncio. Tenho ereção prolongada, não consigo gozar. O gozo paradoxalmente pra mim, é um sofrimento. Fui casado por três meses. Minha ex não se contentava em ter um cacete rígido, vermelho, com as veias salientes durante horas. Queria ver esperma, porra. Certa vez me disse que o seu maior desejo não era mais ter um filho e sim que eu esporrasse em seu rosto, em todos os buracos do corpo, inclusive nas narinas e nos ouvidos. Toda porra contida no quarto eu despejava quando estava a sós no banheiro. Contei isso a ela enquanto jantavamos. Em sua histeria gritava que eu preferia minha mão do que a sua vagina. Entre lágrimas, quis saber com quais das mãos eu a traia. Iria dizer que eram com as duas, mas por um acaso do destino disse ser a direita. Naquela noite dormi na sala. Acordei molhado em meio ao sangue. Beatriz havia decepado minha mão direita e jogado-a pela janela do nosso apartamento. Durante três meses dediquei-me a tornar hábil à esquerda. Comecei a frequentar um clube de burguêses, dormia escondido no ginásio. Donato; o porteiro, me deixava entrar sem pagar. Passava a manhã no paredão, com solda confeccionei uma raquete especial pra mim, pesando quatro quilos trezentas e sete gramas. Assim desenvolvi os músculos do braço. Pela tarde praticava esgrima a noite caligrafia para relaxar.
Estava saciado por essa noite. Sou obrigado a meter em todas, pois como disse: quando voltar amanhã já serão outras que estarão a minha espera. Vesti meu casaco e sai do necrotério.

A filosofia nos videogames – Super Mario Bros


O videogame nos prepara para a vida e comprovarei isto para vocês com fatos.

Um bom exemplo dessa filosofia pode ser observado em Super Mario Bros como podemos observar na imagem


Copiei tudo daqui: Tudo Que Você Quiser

a jornalista


no apartamento dela
assistiamos a TV Cultura
e ouviamos Chico Buarque
fumavamos
e liamos a Folha de SP
trepavamos ouvindo Buena Vista Social Club
poster do Che Guevara
saias coloridas
camisetas de protesto
almoçavamos no vegetariano
uma pagação total
hj ela é advogada
e anda de tailler
fico feliz, a coisa esta mais honesta

pontos de luz





















uma vez sofri um acidente
e tive que dar 13 pontos - 13.... o intrigante e amedrontador 13
mais um centimetro e teria pego a artéria
imagine como estava, uma boceta aberta na perna
então ele pegou alcool, desses de cozinha
e despejou, antes de começar a costurar
assim entendi o termo "ver estrelas"
fechei os olhos, com toda força tambem fechei as mãos e mordi os dentes
na escuridao dos olhos fechados, brilhavam pontos de luz; igual olhar para o ceu escuro e ver as estrelas tão calmas..

Dia do Rock






















(um pouco atrasado)

fonte: Ela ta de Xico

Noel





Estava trabalhando como papai noel. Tirou a sorte grande, nada de trabalhar no centro, debaixo do sol, acenando com a mão para os carros. No shopping ficava sentado em uma grande poltrona, acolhido pelo ar condicionado. Tivera de mudar a cor da barba e os cabelos para branco. Usava um óculos quadradinho sem grau, a barriga era verdadeira.
Todos gostavam dele e os seguranças cumprimentavam-no quando chegava pela manha.
Acordava as oito, sentava no sofá e bebia rum ou uísque ate as dez, depois um banho e estava pronto para mais um dia.
O shopping ficava a algumas quadras dali, portanto não precisava ir de carro. Afinal iriam achar estranho quando o vissem dentro da Mercedes.
Podia usar a desculpa que deu para os amigos “ganho pouco como papai noel e poderia nem ganhar nada, já que dinheiro não me falta. Apenas realizo um grande sonho”, porém preferiu evitar especulações. Apenas ele sabia o verdadeiro motivo, e como era bom. meu Deus! Vinte, trinta, cinqüenta crianças fazendo fila para sentarem no seu colo.
Algumas usavam saias largas e ao se sentarem encostavam a calcinha na sua perna.
Aqueles dias estavam sendo os melhores do ano. Era quase tão feliz como na época que trabalhara em um berçário.

Jiu-Jitsu


Minha ex mandou o atual namorado me visitar. Ele luta jiu jitsu e batia na porta.
“Abra, precisamos conversar” gritava.
Eu sai lá fora e fiquei mudo.
Nos olhamos por um breve tempo, depois apontou o dedo pra mim enquanto recuava, virou-se e saiu correndo.
Fechei a porta e guardei a arma na gaveta, um brinde ao jiu jitsu.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Sui Generis



Poucos risos, a fila na calçada era grande. A maioria estava de braços cruzados, olhando os carros que passavam, com medo de serem descobertos. A minha vez estava quase chegando, minhas pernas pediam descanso, pedia à elas compreensão.
Agora eu era o próximo. O lugar sujo e feio estava conseguindo atrair a freguesia masculina, com um chá insólito.
Uma porta de madeira se abriu. Entrei. Conheceria o famoso chá. Seria ele alucinógeno? Do que seria feito? Minhas mãos suavam. Um japonês, inteiro de branco, com um ideograma grande, preto, gravado em seu avental, me fez andar por um corredor. Por ali imagens de praticantes do kama-sutra, insinuavam o que me aguardava.
Ao chegar numa sala de tons e cheiros eróticos, deparei-me com um balcão. Sentei em um dos bancos. Ele soltou um grito e a cortina de veludo foi se abrindo. Mulheres nuas, de varias nacionalidades e tipos, estavam deitadas de pernas abertas. O japonês mandou eu escolher uma. Apontei o dedo para a maior boceta de todas. Grande e rosada, como uma borboleta de carne. Ela se levantou e marchando sumiu, por outra cortina que ficava mais atrás. O que viria agora? Passado cinco minutos, o balcão começou a girar, trazendo uma chícara fumegante. O cheiro denunciava tudo; estava na minha frente o mistério revelado. Era um chá de boceta. Tomei.

domingo, 12 de julho de 2009

Ovo


Coloquei água para ferver. Joguei lá dentro o ovo que trouxera do sítio.
Fiquei olhando à panela e o relógio. Andava pela cozinha, não gosto de esperar. Abri a geladeira, fiquei ali parado, sentindo o ar gelado, tão gostoso. Peguei um pão, engoli. Adoro pães gelados. Fechei a porta da geladeira. Coloquei as mãos nos bolsos, olhava a chama do fogão esquentar a panela. Sentei, levantei. Cantei uma música. Dei mais algumas voltas. O telefone tocou, quando atendi desligaram. Dei mais algumas voltas. Peguei uma caixa de fósforos, brinquei com eles. Adoro pães gelados e a chama hipnótica do fogo. Cansei de esperar, bati com a faca no ovo, começou a rachar. Já era tempo, pensei. Um pinto saiu de lá de dentro. Um pinto! Meu Deus! Começou a gritar, tentei desligar o fogo mas senti muito medo. Corri pela cozinha com a mão na boca, ele continuava a gritar. Parou aos poucos, morrera finalmente. Desliguei o fogo.

Cão


Não me lembro de como tudo aconteceu. O que me lembro é que quando acordei estava transformado em um cachorro. É tão difícil tentar explicar tudo isso que prefiro apenas sentir a dor. Sempre imaginei o quão gostoso seria deitar ao sol, ou ter a agilidade pra correr com quatro patas. Mas depois de algumas horas de excitação já não me resta mais nada. As vezes como todo cão tento roubar um pedaço de comida dos meus donos, mas é difícil e quando ganho são migalhas. Me contento com a ração gordurosa e indigesta. Deitado no quintal, sem poder de decisão até mesmo para ir na rua um pouco, ou tomar um banho, vejo as horas passarem, e espero o momento de escapar pelo portão e me jogar contra um carro.

Salsichas


...então abri o congelador e la estavam elas, duas salsichas duras e vermelhas.
joguei-as no liquidificador com um pouco de leite e apertei o botão
não era ruim.

Sábado





















Lurry Channel e seu namorado Ering tinham ido almoçar em um rodízio, ficaram ali comendo e empanturrando-se como dois porcos, enquanto mastigavam toda aquela carne, pegavam palitos do paliteiro ali na mesa, e com eles ficavam desenhando na toalha de papel. A mesa a cada minuto que passava, aumentava a sujeira. Restinhos de arroz, ou uma batata frita toda mole ali caída.
Decidiram ir embora – já era hora – enquanto era passado o cartão de credito ficaram sentados impacientes esperando e esperando. Quando foram pegar o carro, esperaram e esperam por ele, ate que o manobrista apareceu.
Enquanto iam para o apartamento, o sol de um sábado de tarde entrava pelo vidro deixando a viagem mais desagradável. Pois tudo que queriam era chegar, tirarem a roupa e os sapatos e ficarem nus a descansar, deixar o corpo livre para a digestão.
Ao chegarem foram isso que fizeram, ele na sala vendo o futebol e tocando o seu membro como forma de distração, e ela no quarto para ouvir musica.
Lá pelas cinco da tarde, quando Enrig foi para o quarto ao encontro da amada, ela estava nua pintando as unhas do pé. Só vestia uma presilha roxinha - nos cabelos que iam ate os ombros.
Enrig ficou excitado com a visão, a chuva batendo no vidro do quarto trazendo junto um friozinho, sua mulher com o estojo de esmaltes nua, sentada na cama com uma das pernas pisando o chão, enquanto a outra estava dobrada, o calcanhar encostava na bunda, assim ficando numa posição melhor para pintar. Nessa posição ele contemplava, a sua bocetinha cheia de pelinhos aparados já há uma semana. Estavam um pouco crescidinhos, e o rasguinho da xoxota era como uma braguilha aberta.
Ela ali inocente, entretida em seu narcisismo, não percebeu que ele de pé encostado na porta, se masturbava. Só sentiu algo molhar seu corpo, pensou que era a chuva, mas o liquido vinha da porta.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Tapa na Cara


Dei um tapa em sua cara. Senti a pele mole e um tanto grudenta.
Quando começamos o namoro, ela me alertou que tinha uma doença que poderia evoluir rapidamente.
Estava tão apaixonado, que ouvir isso só contribui para aumentar o meu desejo. “Quanto mais excentricidades melhor” pensava. E elas estavam mesmo por vir.
Cansado demais para tentar a todo momento buscar inspiração para produzir meus novos contos, sai por aí atrás de experiências.
Uma calcinha com manchas amarelas, uma boceta que esticava seu cheiro ate os joelhos ou uma mulher sem língua, foram os meus primeiros contatos.
Encontrei um clube através da internet. Paguei a taxa de associado e pude começar a freqüenta-lo.
Na primeira noite que cheguei, tive que ser batizado.
O batismo era simples, constituía-se em aceitar alguma das cinco alternativas oferecidas pelos associados.
A sorte estava ao meu lado, as opções eram todas excitantes.
“Quero ficar com todas” disse eu.
Eles riram em coro. Bem; estava conquistando a simpatia deles.
Na noite seguinte, fiquei assistindo a alguns metros um casal que transava dentro de uma banheira com minhocas. Alguns se masturbavam.
Não achei interessante e avisei o diretor do clube que se fosse ver trivialidades, queria meu dinheiro de volta.
Foi ali naquela segunda noite que a conheci. Enquanto vinha ate mim, o diretor avisou que no clube ninguém podia ficar insatisfeito.
Qualquer um podia sentir que ela era diferente. Talvez a baixa estatura, quem sabe, mas tinha algo a mais.
Ontem estávamos andando no final da tarde que é o melhor momento do dia, quando ela caiu dentro de um bueiro. Foi tudo tão estranho. Eu deitei na calçada, enfiando a cabeça lá pra dentro. Gritei pelo seu nome, mas só ouvi minha própria voz.
Fiquei tão nervoso e perdido, que andei horas pelas ruas, quase fui atropelado varias vezes. Como isso podia acontecer?, estávamos indo para casa, tínhamos um acordo. Combinamos de fazer mais uma sessão de fotos e ela se atira lá pra dentro sem maiores satisfações.
Pela manha ouvi batidas na porta, era ela. Notei que faltava uma parte do seu braço.
Contou que ao cair no buraco ficou desacordada, quando os bombeiros a resgataram estava muito suja e uma senhora ofereceu-lhe um banho, o qual aceitou com prazer.
Ao se ensaboar sentiu que ele não estava mais ali.

Jardim


Andando pela rua em uma noite tropical ele avista um caramujo na calçada.
- O que faz por aqui caramujo?
- Estou indo para casa.
- Mas sua casa não esta sempre com você?
- Eu estou voltando para o reino dos caramujos. Venha comigo precisamos de um guardião.
- E onde fica?
- Em um jardim secreto.
Ele começou a pensar se valia a pena ir junto. Viver com caramujos falantes. Decidiu experimentar.
Ao chegarem no jardim secreto, os caramujos pediram que ele deitasse.
Assim que o fez, não conseguiu mas se mexer. Sua boca foi aberta. E os caramujos começaram a entrar lentamente. Ele podia sentir um a um passando por sua garganta.
O ultimo disse antes de mergulhar:
- Desculpe ter enganado você, mas detestamos humanos. Eles nos exterminam ou pior comem nossos primos escargot. Essa foi nossa vingança. A partir de hoje viveremos bem protegidos aí dentro. Assim que eu estalar os dedos você ira pensar que isso tudo não passou de um sonho. Lentamente ele conseguiu retomar os movimentos do corpo; e então acordou.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O pão do monge


O pão do monge tibetano cheira xoxota.
O famoso pão, totalmente natural.
Então o velho monge anda brincando com elas e depois trabalha na massa.
Um pão afrodisíaco.
Me lembra a historia do meu velho amigo que trabalhava na cozinha de um hotel requintado e esquentava a sopa ao seu modo com um pouco de urina. Subia na escadinha arrancava o pau e mandava tudo pra dentro da panela.
“mije um pouco também” me convidou “mas só um pouco, senão eles podem perceber”.
Subi na escadinha.
Ele berrou furioso “porra você mijou muito”. Alguns clientes escutaram. “Sinta o cheiro desta MERDA”. Levou a sopa ate a pia despejando-a no ralo, enquanto esbravejava.
Deixei-o lá com seus clientes, saindo pela porta dos fundos; ainda ouvindo alguns gritos.
Foda-se.
Decidi abrir o meu próprio restaurante.

Memórias do Sul


...eu ficava me esfregando com ela na piscina, brincando de pegar a bolinha de plástico que ela insistia em esconder entre as pernas.
Meus pais do outro lado do vidro assistiam a tudo orgulhosos, comendo bolos e bolachas, enquanto desfrutavam da calefação junto com o chá.
Sinto saudades do sul.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Vampiro


Assistia televisão em mais uma noite comum. Mudei de canal. Um vampiro chupava um pescoço. A cena era sensual. O telefone tocou, não atendi, continuei assistindo.
O filme acabou, fui até a janela, olhei a cidade lá embaixo. Se eu fosse um vampiro de verdade, sairia voando e escolheria minha vítima; pensei. Sempre quis voar. Fui dormir.
Na noite seguinte aluguei todos os filmes sobre o assunto.

Entrei no elevador. Cumprimentei Virgínia uma moradora do prédio. A sua beleza sempre me excitara, me intimidava também. Fiquei reto, olhando para porta. Um vampiro não pode ser tímido, pensei comigo. Olhei para o fundo dos seus olhos, comecei a conversar. Chegamos na garagem. Dei um beijo em seu rosto, perto do pescoço. Passe lá depois, disse Virgínia.
Entrei no carro, fui para a estrada. Parei no acostamento, fiz sinal para uma mulatinha. Ela entrou no carro. Tentei morder sua jugular, ela socou meu saco e escapou. Desde então ando mais prevenido.
O dia clareava, comecei a me sentir fraco. Voltei para o apartamento e deitei na cama. Era muito mole. Eu precisava de um caixão.
Já era dia lá fora, teria de esperar a chegada da noite para ir comprá-lo. Dormi na banheira.
Hoje foi o primeiro dia que dormi no caixão. Sinto-me bem.
Fui até ao apartamento da Virgínia, bati com força na porta.
Fodemos durante duas horas. Foi gostoso. Virgínia fumava um cigarro, virei de lado para não sentir o cheiro. Não podia pedir para apagá-lo, sou educado. Dei uma martelada na sua cabeça, em seguida mais algumas. Passei o estilete no seu pescoço. Bebi todo sangue. Eu era agora um vampiro de verdade. Fui até a janela, olhei a cidade lá embaixo, as luzes brilhavam. Saltei.

Alho e Oleo




Acabei de fazer a delicia do seculo:














bucatini
bacon
alho
pimenta calabresa
sal
e mto cheiro verde

não é esse da foto
esqueci de fotografa-lo
e agora ja comi tudo

Ficou intenso!

Boa Ação


Conheci Virgínia em uma tarde comum, ensolarada. O som detestável do funk. Eela bebia cerveja de pernas cruzadas.

O gosto de sua boceta era bom, suave. Mesmo assim me enojavam todas aquelas bactérias, continuei chupando. Sinto atração e repulsa por bocetas.

Estava de cueca no apartamento. Virgínia dormia, vestia apenas sua pele.
O cano prateado reluzia mais e mais a cada investida da flanela. Fiquei olhando para sua bunda, que exibia também uma parte da boceta.
Não resisti, acordei Virgínia com uma mordida no seu dedo do pé.
Ela sorriu.
Enfiei com força o cano da pistola na boceta e apertei.
Deitado por cima do seu corpo me masturbei. Gozei muito rápido.

A barriga fora aberta com o tiro. Algo estranho estava ali. Notei que ela estava grávida. Me masturbei novamente. Tinha matado dois coelhos com um tiro só. Chorei de emoção, era meu filho. Meu filho!
Recolhi os pedaços que encontrei pelo quarto, tentando não os confundir com os da mãe.

Antes de entrar em meu carro, joguei o que restava do meu filho para os cachorros que vieram atraídos pelo cheiro. Não pedem para doarem órgãos? Aqui estão.
Os cachorros lambiam com gratidão.
Comam tudo seus filhos da puta.

Dirigia o carro.
Escutava uma musica alegre na rádio, alegre também era o meu estado de espírito.
Sempre fico assim depois que faço boas ações.