quinta-feira, 16 de julho de 2009

Zé do Apito


Zé do apito não veio de novo.
Como você sabe?
Eu não vi ele chegando.
Mas você não saiu de casa.
Eu não preciso sair de casa, para ver essas, coisas. Eu uso a janela.
Mas a janela não pega a rua toda, ele pode ter vindo e você não percebeu.
Eu percebo as coisas; sempre.
Esse cara nunca mais tem vindo. Alias vem só no dia do pagamento.
Então não paga mais.
Mas ai ele não vai mais vir.
Tem razão.
Esse cara tem deixado um amigo dele, para ficar apitando quando ele não vem.
Então o “cara” é o sucessor dele. Um novo Zé do apito.
Não.
Como não?
O cara só passa de bicicleta, apita e vai embora.
E o Zé do apito original?
Esse nem vem.
Então não é melhor o falso?
As vezes...
O que esse tal de Zé faz? Qual o serviço dele.
Apitar.
Mas apitar não é serviço.
Eu sei.
Mas vocês pagam pra ele ficar por ai apitando? Então paga pra mim!
Não é só pra isso.
Para o que mais.
Para proteger a gente.
Do que?
De ladrão.
Mas como ele espanta o ladrão?
Apitando.
E desde quando apito é proteção?
Desde nunca.
Mas então para que ele serve?
Para apitar.
Ah... entendi.

Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

Um comentário:

  1. retrato da cidade, das pessoas que se passam por invisíveis...

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